O campo minado de Palmira

Quarta, 13 Abril 2016 15:55

Ahmad Deeb, diretor de assuntos museológicos para a cidade de Palmira, chega ao local. De boné e bigode, ele é um homem rechonchudo por volta de seus 60 anos. Meu primeiro pensamento: ele está vivo. O colega dele, Khaled Asaad, arqueólogo-chefe da histórica cidade oásis, não está mais.

 

Em agosto, ele foi decapitado em praça pública pelo EI, diante dos olhos de vários espectadores. Um assassinato brutal. E Asaad não foi o único executado aqui em nome do islã.

 

Em um discurso breve e floreado, Ahmad Deeb agradece aos russos. Sem o Exército, afirma, essa bela flor do deserto nunca floresceria novamente. Ele está tenso – e eu posso compreendê-lo.

 

Deixamos a parte histórica da cidade após três horas. "Nossos soldados não estão cumprindo apenas uma missão militar aqui, mas também uma missão cultural e até mesmo humanitária", diz o major-general Konashenkov, no caminho para o centro de Palmira, dentro de um veículo blindado. "Estamos devolvendo para a humanidade aquilo que foi criado há milhares de anos" – soa um pouco dramático, mas é verdade. Os russos estão criando fatos. E o fato é que Palmira foi libertada.

 

Mas a população da Palmira moderna não pode usufruir totalmente dessa nova liberdade. Quando chegamos, havia cerca de 200 pessoas na praça do mercado. Elas carregavam uma expressão exausta, traumatizados pela intimidação e tortura causadas pelo EI. As pessoas que retornavam ao local não reconheciam sua cidade devastada. Quem ficou, por sua vez, foi forçado a testemunhar a destruição de bairros inteiros. Aqui também há muitas minas.

 

Palmira já teve uma população de 70 mil pessoas. Cerca de 15 mil delas sobreviveram aos dez meses de ocupação do EI. Mas há esperança para eles aqui? 

 

"Precisaremos de apenas três meses para retomar os serviços da cidade", garante Konashenkov. À esquerda dele, um homem sobe num poste de energia. A eletricidade é prioridade. "Tendo isso, a vida começará a fluir de novo aqui", diz um morador, sorrindo.

 

Fonte: DW

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